Por: José Lino Teixeira on May 5, 2008 – 9:44 am
“O Núcleo Operacional para a Sociedade de Informação (NOSi), esteve a participar, durante os dias 21 e 23 de Abril do II Fórum Africano de Melhores Práticas de TIC, decorrido no Centro Internacional de Conferências Ouaga 2000, em Ouagadougou, Burkina Faso, a convite do Presidente da Microsoft para a África.
A experiência cabo-verdiana no domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), apresentada pelo NOSi, foi considerada a melhor de África, e o modelo de governação electrónica implementado foi indicada como referencia a ser seguido pelos restantes países do continente.” (Fonte NOSI)
É com uma satisfação enorme que vejo o nome e a experiência de Cabo Verde ser reconhecido além fronteiras. Realmente o NOSI tem feito um trabalho louvável no que concerne a “Governação Electrónica” (e não Governo Electrónico como muitos dizem), desburocratizando a função pública, facilitando a vida dos cidadãos e das empresas. Os vários projectos em andamento no NOSI tem realmente marcado uma diferença considerável da posição que Cabo Verde ocupa no âmbito das TIC, comparativamente aos países da região e não só.
No entanto, sou sempre céptico quando vejo afirmações que nos colocam no topo de seja o que for. Não acredito que tenhamos experiências que sejam tão marcantes a nível do continente tendo em conta a nossa dimensão, o nosso ambeinte tecnológico, académico, de investigação e de desenvolvimento.
Se por um lado a informatização dos serviços da função pública minimiza os tempos de espera e automatiza os processos, temos por outro lado a burocratização de processos que em outras paragens são feitos em minutos. Falo especificamente do processo de registo de domínios em Cabo Verde.
A ANAC, entidade responsável pela gestão dos domínios em Cabo Verde, exige por parte das entidades, empresas e pessoas singulares, excessiva documentação para registo de domínios. A segmentação dos domínios .cv em subdomínios .edu.cv, .com.cv, .net.cv, .org.cv, etc.etc., só se justifica quando temos um grande mercado e é necessário fazer essa gestão por categorias. No Brasil por exemplo, faz todo o sentido existirem subdomínos devido ao enorme mercado que existe nesse país.
Enquanto que na net, o registo de um domínio, o alojamento e instalação de plataformas para desenvolvimento de sites, blogs, lojas etc., a activação de centenas de contas de email com gigas de espaço, se faz em minutos, em Cabo Verde serão seguramente semanas.
Outro constrangimento tem a ver com as formas de pagamento online, falta de legislação com vista a protecção do cliente em transações online. Por essa razão muitas lojas online recusam efectuar transações com Cabo Verde (falo por experiência própria), devido a insegurança que essas transações representam para essas empresas e por não terem a garantia de que um produto é entregue ao comprador.
Analisando a imagem que Cabo Verde tem na net, refiro-me a sites e portais de empresas e instituições Cabovedianas, ao número de visitas que esses sites têm por dia, a quantidade de informação e a utilidade dos mesmos, estaremos seguramente, a nível da África, em lugares bem mais modestos.
Nesta nova era: “A Informação é a alma do negócio”, em contraste com a velha “O segredo é a alma do negócio”, e concordo perfeitamente com essa visão uma vez que estar na era da informação exige que ela seja partilhada e disponibilizada para todos.